PARADA OBRIGATÓRIA


“Atenção senhores passageiros,
dentro de alguns minutos estaremos chegando a “NATAL”.
Esta escala oferece aos senhores momentos inesquecíveis.
Ao ouvirem a chamada, retornem a seus terminais de embarque e boa viagem.
Por sua atenção, obrigado!”

Pronto! Chegamos!
Vou comprar umas lembrancinhas para o pessoal lá de casa…
Engraçado, sinto um clima diferente neste lugar… pensei com meus botões.

Olhei para meu companheiro de poltrona e puxei conversa.
Era um tipo muito simpático, sorridente e bonachão…

Moço, você está sentindo um clima diferente neste lugar?
Ele me olhou serenamente e respondeu:
Eu já passei muitas e muitas vezes por Natal;
cada vez que volto aqui, sinto que é diferente da vez anterior…
Meu nome é Sylvia e você, como se chama?
Eu, sou Noel, muito prazer, você quer ouvir um pouco do que aprendi em minhas passagens por Natal?
Sim, sim…estou muito curiosa, continue!

Veja bem, sempre que chegamos perto de Natal, sentimos nostalgia
apesar da expectativa de momentos alegres nesta parada.
Dá um aperto no coração, desânimo, insatisfação… cansaço…
Acho que é porque a viagem é muito longa !
Passo por aqui a cada 365 dias e a viagem continua…

Atenta, perguntei: E o que tem de especial aqui em Natal?
Bem, você sabe que esta rota é longa.
Por ser o fim de uma etapa e início da etapa seguinte, aqui relaxamos um pouco, sobra tempo para avaliar o trecho já percorrido,
enfim, aqui, é PARADA OBRIGATÓRIA, é importante que saiba disso.

E Noel continuou como se falasse para dentro dele…
É aqui o lugar ideal para você rever itinerários e depois seguir viagem, melhor que antes…

Que mais você aprendeu, Noel?
Eu queria saber mais.
Minha amiguinha, muitas vezes ficamos tão envolvidos com esta viagem que deixamos de ler as placas de sinalização com informações que fariam nosso percurso mais leve e menos cansativo…

Pensei nos meus pés cansados dos sapatos apertados…
Bem que me avisaram para usar roupas e sapatos confortáveis…

Ah, Sylvia, um detalhe importante.
Não podemos esquecer as pessoas que passam por nós, nem as que perdemos durante o percurso.
São nossas maiores referências nesta viagem tão longa, ficaríamos perdidos sem elas…

E enquanto Noel falava, passeávamos em Natal.
Encontramos muita gente conhecida, ele sempre solícito conversava e brincava com todos, era um amor aquele velhinho.

Observei num recanto um casal jovem de aparência singela, com o filhinho nos braços.
Eles estavam tranquilos e orgulhosos de seu neném que era muito bonito e atraía as pessoas que o admiravam e sorriam.

Noel deu uma paradinha e me falou:
Sylvia, me dá licença, vou conversar um pouco com aquele casal, “são pessoas do outro mundo”…!
Nunca passo em Natal sem bater um papinho com eles…

Fiquei circulando, depois de um tempinho não resisti e me aproximei daquele casal com o bebê. Não perguntei seus nomes…
Podiam ser Maria ou José… o importante é que senti um desejo enorme de tocar aquela criança.

Ao fazê-lo, senti a sensação de PAZ mais forte de toda minha vida…
Jamais vi olhos tão doces.
Até hoje carrego a lembrança daquele olhar cheio de amor.
Aquela criança ficou guardada em mim…a melhor coisa de Natal!!

Finalmente ouvi o sinal de partida.
Despertei daquele clima suave que me envolveu e perturbou.
Voltei ao meu lugar e notei que Noel não estava mais sentado ao meu lado.
Viajei um bom tempo adormecida quando novo aviso me despertou:

“Senhores passageiros, estamos chegando em NOVA ERA.
Nesta escala serão feitas conexões.
Por favor dirijam-se aos terminais que os levarão a seus destinos.
Por sua atenção, obrigado e boa viagem!”

Saí carregando minha bagagem que aumentava a cada etapa!
Ali havia um clima de euforia.
Vi pessoas se abraçando, trocando lembranças de viagem, umas sorriam, outras choravam,
um corre-corre onde todos estavam agitados e alegres.

Depois de me despedir dos companheiros que tinham outro destino,
segui em direção ao meu portão de embarque,
torcendo para ter feito a escolha certa.
Um grupo de viajantes entrou pelo mesmo portão, fiquei feliz.
Afinal eu não estava sozinha para a próxima etapa…
Eram novos amigos, companheiros de jornada…

Tomei meu lugar.
Ao meu lado já havia uma mulher sentada.
Bonita, serena, sorriu para mim e antecipou-se:
Olá, Vamos ser parceiras de uma longa jornada. Muito Prazer!
Meu nome é ESPERANÇA!

Autora: Sylvia Cohin

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