A CONCENTRAÇÃO

O passo mais importante para se aprender a concentrar é “ficando só” consigo mesmo. Esta habilidade é preciosamente uma condição da capacidade de se amar.

Quem quer que tente ficar só, consigo mesmo descobrirá o quanto é difícil, mas também verá o quando vai lhe fazer bem. No começo, pode se sentir inquieto, nervoso e ansioso. Estará disposto a racionalizar sua má vontade em continuar, pensando que isso não tem o menor valor. Observará que lhe vem à mente todas as espécies de pensamento. Vai pensar nos seus planos do dia, da semana, do mês, do ano e até mais adiante.

Com isso, vai perceber um monte de coisas que entram em sua mente sem permissão e sem lógica.

Um simples exercício pode mudar tudo de ruim e começar a ver a vida de forma mais simplificada e equilibrada: sentar em uma posição confortável (nem espreguiçada, nem rígida), fechar os olhos e tentar ver uma linda tela branca, tentar acompanhar a própria respiração; não pensar a respeito dela, nem forçá-la, mas simplesmente acompanhá-la e, ao fazê-la, senti-la; tentar, além do mais ter o senso do seu “EU”; eu igual a si mesmo, como o centro de suas forças, como o criador do seu mundo. Deve, pelo menos, fazer este exercício uma vez por dia e durante um período de dez a vinte minutos, porém, não deve se importar com o tempo, ele pode tirar a concentração.

Estamos diante de uns dos tipos da “meditação”, que é o mais importante método de concentração. Devemos aprender a ficar concentrados em tudo o que fazemos, em ouvir música, em ler um livro, em falar com uma pessoa, em ver uma paisagem, um filme, no sexo, nas brincadeiras, nas piadas, enfim, tudo é merecedor da nossa atenção, da nossa concentração, no momento presente.

Com a concentração, você não vai chegar ao final de cada ano e falar que o ano passou rápido. Você vai perceber o valor de cada minuto e o quanto ele é valioso em sua vida. Você vai usar cada momento buscando uma brecha em cada instante para ser feliz e fazer a felicidade do próximo, você vai lutar com toda sua energia para ficar concentrado sentido o tempo, sentido cada movimento, cada palavra, cada sorriso, cada choro e saberá lidar com situações que antes você ficava deprimido. Com a concentração a sua vida tem muito mais valor e você saberá dar valor a vida do próximo e a natureza.

A atividade do momento presente deve ser a única coisa que interessa, a que merece plena entrega. Se estivermos concentrados, pouco importa aquilo que se esteja fazendo; as coisas importantes, assim como as sem importância, assumem nova dimensão de realidade, porque detêm a integral atenção.

Aprender a se concentrar, a meditar, exige que se evite, tanto quanto possível a conversação corriqueira, isto é, a conversa que não é genuína. Se duas pessoas falam a respeito do crescimento de uma árvore que ambas conhecem, ou do gosto do pão que acabam de comer juntas, ou acerca de uma experiência comum em seu serviço, tal conversa pode ser importante, desde que elas experimentem aquilo de que falam; colocando total atenção e emoção; por outro lado, uma conversa pode tratar de assuntos de política ou religião e, contudo, ser trivial; isto acontece quando as duas pessoas falam usando palavras sem nexo, sem conhecimento e em tom de ironia.

Ficar concentrado em relação aos outros significa, antes de tudo, ser capaz de ouvir. Muitas pessoas ouvem as outras e até dão conselhos, sem ouvir realmente. Não levam a série o que a outra pessoa fala, nem também levam a sério suas próprias respostas.
Em conseqüência, a conversação as deixa cansadas. Têm a ilusão de que ficariam ainda mais cansadas se ouvissem com concentração. A verdade, porém é o oposto. Qualquer atividade, se feita de maneira concentrada, torna-nos mais despertos (embora depois sobrevenha um cansaço natural e benéfico), ao passo que qualquer atividade não concentrada nos deixa sonolentos e, ao mesmo tempo, dificulta adormecer ao fim do dia.

Ficar concentrado significa viver plenamente no presente, no agora, aqui e não pensar na coisa seguinte. Desnecessário é dizer que a concentração deve ser praticada, acima de tudo, por pessoas que mutuamente se amam. Devem aprender a estar próximas uma da outra, sem fugir pelos muitos modos por que isso é costumeiramente feito. O começo da prática da concentração será difícil; parecerá que nunca se alcançará o alvo. Nem é demais dizer que isso implica a necessidade de ter paciência.

Se não se sabe que tudo tem seu tempo, se quer forçar as coisas, então, na verdade, nunca se conseguirá sucesso em ficar concentrado. Para ter uma idéia do que é a paciência, basta que se observe uma criança aprendendo a andar. Ela cai, torna a cair, cai outra vez, e, no entanto, continua tentando, melhorando até que um dia anda sem cair.

O que não poderia o adulto realizar se tivesse a paciência da criança e sua concentração nos objetivos que lhe são de importância!

por Bernardino Nilton Nascimento – bernardino.nascimento@promon.com.br

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